Nos meus tempos de adolescente havia poucos recursos onde pudessem ser encontrados estímulos hormonais. Tendo em conta este facto, tive a necessidade de aproveitar qualquer nicho onde estes pudessem estar presentes, para proceder ao chamamento da puberdade.
Um desses nichos, esperava-me aos Sábados e Domingos na Sic. De manha bem cedo, enquanto os pais gozavam a sua merecida pausa laboral, esgueirava-me até bem próximo da televisão, para espreitar pela mesma e entrar no encantado Mundo do Super Buéréré!
A Ana Malhoa, era a apresentadora. Bonita, simpática, alegre e o corpo espelhava uma forma pouco habitual em programas juvenis. Encantava as minhas manhas, provocava os níveis hormonais, fazia-me sonhar.
Sonhava beijar seus lábios, tocar no seu corpo despido, no modo tosco e lambão com que apalpava as colegas e não colegas que me acompanhavam na escola.
Tempos onde a inocência não alcançava a maldade sexual. No limiar desta inocência, talvez deambulasse algum cariz erótico, mas mesmo esse era desconhecido da minha juventude.
Crescido como estou, olho com indiferença para as fotografias que mostram hoje, o corpo que sonhei abraçar.
A expectativa que um dia criei, esfumou-se com o tempo e com as mudanças que assistiram ao crescimento da Ana Malhoa.
Como numa relação adulta e responsável, onde o término da mesma tem como responsáveis as duas pessoas que a criaram, também aqui, a culpa tem de ser dividida e assim, dou-me como culpado por ver findado este amor platónico de outros tempos (simplesmente também mudei).
PS: envia uma carta à Playboy portuguesa com um pedido simples. Mais e melhor nudez! Isto, se querem realmente destacarem-se das revistas concorrentes. Não vão longe com e só, mostras de pêlos púbicos localizados algures entre as virilhas. A não ser que, estejamos na presença de um plano de marketing, onde mulheres carecidas de ideias, encontram um novo look para a sua “deusa sexual”. Se for esta a estratégia, dou o braço a partir e arranco com a ideia que estou na presença da primeira revista de futilidades (que dão jeito) para homens e mulheres.