R.I.P. - Robert Enke

Bolas… sem nunca ter privado ou sequer conhecido este homem de 32 anos de idade, o simples facto, de ter acompanhado de perto a sua carreira enquanto jogador do S.L.Benfica, muitas vezes ao vivo, outras tantas na televisão, cedo percebi que o seu espírito de trabalho e procura da perfeição, levariam-no bem longe no panorama do futebol Mundial. Após a sua saída do S.L.Benfica, andou uns anos valentes meio perdido, todavia reencontrou-se no Hannover 96 e preparava-se certamente para um final de carreira brilhante, fruto da condição de titular na selecção da Alemanha.
A noticia do seu suicídio… caraças! No comments.
O modo de estar, o seu profissionalismo e ambição eram exemplos que seguia com alguma atenção. Era um tipo diferente, e como tal distanciava-se facilmente dos estereótipos que são criados em torno do “típico” futebolista.
Just R.I.P..
(*) Há coisas que simplesmente não se superam e burro, é aquele que se julga superior ao adeus pelo próprio pé. Quando vi a noticia, fiquei em choque. Uma vez mais, vejo um elemento de admiração perder a vida. Quando o meu avô faleceu, esvaneceram-se um rol de motivações, ao ponto de, pegar inúmeras vezes no carro, encaminhar-me para a auto-estrada mais próxima e ali, prego a fundo, provocar o adeus. A vida corria-me mal? Não. Era fraco? Não. Estava desgostoso? Sim.
A perda de uma filha, implica também a existência de razões que explicam o adeus. Sentimento de culpa, pode ser uma delas.
Lembro-me que na noite que antecedeu o adeus do meu avô, telefonei à minha avó. Coitada, disse-me que tinha dificuldades em dormir, porque o meu avô passava a noite toda a chamá-la. Petiz e convencido que sabia tudo na ponta da língua, falei sem pensar: «coloque uns tampões nos ouvidos e quem sabe, resolve o seu problema avó». Nessa madrugada, o meu avô perde a vida. No quarto onde dormia, foi encontrado sem vida, fora da cama, junto aos pés da mesma. No quarto ao lado, a minha avó sem tampões nos ouvidos, dormiu a noite toda, não escutou rigorosamente nada.
Existe sempre uma perda difícil de metabolizar e quando não se dá a volta, diz-se adeus à vida, com ou sem ela por perto. O Enke não acreditou, mas é possível contornar momentos desta natureza.
Os estúdios de Hollywood têm um filme que espelha um pouco daquilo, que pode ser o sentimento de culpa:
Uma empatia difícil de digerir, uma vez que existe sempre uma solução… excepto para o adeus.